Taxman, a calculadora de impostos sobre renda variável, está evoluindo. A versão 2 beta está disponível para testes em http://epx.com.br/taxman2.
O link antigo http://epx.com.br/taxman ainda está com a versão 1, estável. Conforme a versão 2 mostrar-se comportada, ela torna-se a versão oficial. Isto deve ocorrer nos próximos dias.
Página de volatilidades novamente no ar
Há alguns dias atrás, um leitor da página de volatilidades de opções avisou-nos que a página estava com problemas. De fato, o site Bovespa tinha mudado a forma de exportar as cotações via Web, o que quebrou nosso script de atualização automática.
Script consertado, tudo está novamente em ordem... até a próxima mudança em alguma fonte de dados :)
Mudanças no Taxman 2
Voltando a falar do Taxman, a principal mudança da versão 2 é a substituição da biblioteca Dojo pela jQuery. Embora o Dojo atenda às necessidades, ele faz o Taxman demorar muito para carregar.
Teoricamente é possível gerar uma "release" comprimida do Dojo, mas é um esquema muito complicado e simplesmente não funcionou com a última versão (e eu tinha de atualizar, devido a um bug com o Firefox 3.5). Pode até ser que foi incompetência minha, mas aborreceu o suficiente para encorajar a busca de uma alternativa.
Por outro lado, o jQuery é tão pequeno e leve, que nem mesmo utilizamos a versão comprimida (a versão original é mais fácil de depurar). Outra coisa a favor do jQuery é que ele está "na modinha", e infelizmente isto faz muita diferença na hora de achar documentação, exemplos e plug-ins.
As animações do jQuery comportam-se de forma muito diferente das do Dojo, e não perdemos muito tempo tentando manter exatamente o comportamento anterior; apenas os erros óbvios foram corrigidos. Talvez as animações e transições ainda precisem de algum refinamento.
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas
Estava me lembrando daquele livro, "The Bell Curve", que entre outras coisas afirmava que o QI médio dos negros é 10 pontos abaixo dos brancos, que por sua vez estavam um mesmo tanto abaixo dos asiáticos.
Na verdade, lembrei-me dele enquanto estava escrevendo meu livro, pois há capítulos que usam muito os conceitos da distribuição normal, média, desvio-padrão, e coisas assim.
Intrigou-me que a população sob uma distribuição normal diminui muito após 3 ou 4 desvios-padrão de distância. Qualquer deslocamento "pequeno" na média joga valores mais distantes na faixa da completa impossibilidade. É precisamente este efeito que permite que coisas do mundo da economia e finanças, como depósito de margens e estoques de reserva em supermercados, funcionem a contento.
Voltando ao caso do QI. Aparentemente, dizer que grupo A tem QI médio 10 pontos abaixo de B, não parece grande coisa. Mas isto significa que o número de superdotados do grupo A é muitíssimo menor que o grupo B.
Se bem me lembro, o modelo dos testes de QI pressupõe um desvio-padrão de 16. Para QI médio = 100 no grupo B e QI médio = 90 no grupo A, e 10.000 pessoas em cada grupo, a distribuição normal nos sugere que o grupo B possui 700 superdotados (QI >= 124), dos quais 9 são gênios (QI >= 150). O grupo B possuiria apenas 168 superdotados, dos quais um gênio.
Usei esta calculadora para obter os resultados: http://stattrek.com/Tables/Normal.aspx.
À luz de outras afirmações do mesmo livro (estas com mais respaldo), inteligência é o índice mais confiável para determinar o sucesso de uma pessoa, e indiretamente do sucesso de seu grupo social. Isto condena automaticamente o grupo A a um destino bem triste.
Pior ainda se Scott Adams (o autor do Dilbert) estiver certo: apenas os gênios dentre nós podem fazer diferença, o resto só faz número, o que amplifica ainda mais o efeito do deslocamento da média de QI. 10 pontos a menos de QI significam 90% a menos de gênios.
Muito bem, isto foi a afirmação genérica do The Bell Curve "explodida" em números palpáveis. Mas será que é verdade?
Impossível para mim confirmar ou refutar com exatidão, mas fiz de mim para mim um pequeno exercício mental baseado em algumas observações empíricas:
* Uma pessoa conhece, em média, outras 1000;
* No estado de SC, 8% da população é negra, mas considerando algumas especificidades, posso considerar 5% uma estimativa mais apropriada no meu caso;
* Isto significa que eu deveria conhecer em torno de 50 pessoas negras, o que me parece ser uma estimativa boa (embora certamente uma estimativa ainda alta);
* Dos negros que conheço, posso afirmar que pelo menos 3 são superdotados e 1 deles tem chances de ser gênio;
* Isto dá uma proporção de 6% de superdotados entre os negros que conheço;
* 6% está mais para 7% (grupo com QI normal) do que para 1,68% (grupo com QI deprimido).
* Minha amostra, apesar de pequena (50 almas) alcança uma confiança de 85% (1 - raiz de 1/50). A chance de eu ser um "sortudo" e ter pego uma amostra viciada para melhor é de apenas 15%.
* A chance do The Bell Curve estar correto e minha amostra ter sido tão "sortuda" é bem menor que 15%. Ainda não achei a fórmula inequívoca para estimar esta chance, mas farejo algo em torno de 2%.
98% de certeza que o The Bell Curve está equivocado. Acabo de "descobrir" o que o resto do mundo já sabia. Candidato ao prêmio IgNobel.
Muita gente branca por aí talvez ache isso ruim, mas deveria é comemorar. Tem um bilhão de pessoas na China. Já pensou se a média do QI dos asiáticos fosse realmente 10 pontos mais alta? Acabo de salvar o mundo ocidental :)
Na verdade, lembrei-me dele enquanto estava escrevendo meu livro, pois há capítulos que usam muito os conceitos da distribuição normal, média, desvio-padrão, e coisas assim.
Intrigou-me que a população sob uma distribuição normal diminui muito após 3 ou 4 desvios-padrão de distância. Qualquer deslocamento "pequeno" na média joga valores mais distantes na faixa da completa impossibilidade. É precisamente este efeito que permite que coisas do mundo da economia e finanças, como depósito de margens e estoques de reserva em supermercados, funcionem a contento.
Voltando ao caso do QI. Aparentemente, dizer que grupo A tem QI médio 10 pontos abaixo de B, não parece grande coisa. Mas isto significa que o número de superdotados do grupo A é muitíssimo menor que o grupo B.
Se bem me lembro, o modelo dos testes de QI pressupõe um desvio-padrão de 16. Para QI médio = 100 no grupo B e QI médio = 90 no grupo A, e 10.000 pessoas em cada grupo, a distribuição normal nos sugere que o grupo B possui 700 superdotados (QI >= 124), dos quais 9 são gênios (QI >= 150). O grupo B possuiria apenas 168 superdotados, dos quais um gênio.
Usei esta calculadora para obter os resultados: http://stattrek.com/Tables/Normal.aspx.
À luz de outras afirmações do mesmo livro (estas com mais respaldo), inteligência é o índice mais confiável para determinar o sucesso de uma pessoa, e indiretamente do sucesso de seu grupo social. Isto condena automaticamente o grupo A a um destino bem triste.
Pior ainda se Scott Adams (o autor do Dilbert) estiver certo: apenas os gênios dentre nós podem fazer diferença, o resto só faz número, o que amplifica ainda mais o efeito do deslocamento da média de QI. 10 pontos a menos de QI significam 90% a menos de gênios.
Muito bem, isto foi a afirmação genérica do The Bell Curve "explodida" em números palpáveis. Mas será que é verdade?
Impossível para mim confirmar ou refutar com exatidão, mas fiz de mim para mim um pequeno exercício mental baseado em algumas observações empíricas:
* Uma pessoa conhece, em média, outras 1000;
* No estado de SC, 8% da população é negra, mas considerando algumas especificidades, posso considerar 5% uma estimativa mais apropriada no meu caso;
* Isto significa que eu deveria conhecer em torno de 50 pessoas negras, o que me parece ser uma estimativa boa (embora certamente uma estimativa ainda alta);
* Dos negros que conheço, posso afirmar que pelo menos 3 são superdotados e 1 deles tem chances de ser gênio;
* Isto dá uma proporção de 6% de superdotados entre os negros que conheço;
* 6% está mais para 7% (grupo com QI normal) do que para 1,68% (grupo com QI deprimido).
* Minha amostra, apesar de pequena (50 almas) alcança uma confiança de 85% (1 - raiz de 1/50). A chance de eu ser um "sortudo" e ter pego uma amostra viciada para melhor é de apenas 15%.
* A chance do The Bell Curve estar correto e minha amostra ter sido tão "sortuda" é bem menor que 15%. Ainda não achei a fórmula inequívoca para estimar esta chance, mas farejo algo em torno de 2%.
98% de certeza que o The Bell Curve está equivocado. Acabo de "descobrir" o que o resto do mundo já sabia. Candidato ao prêmio IgNobel.
Muita gente branca por aí talvez ache isso ruim, mas deveria é comemorar. Tem um bilhão de pessoas na China. Já pensou se a média do QI dos asiáticos fosse realmente 10 pontos mais alta? Acabo de salvar o mundo ocidental :)
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Efeito sobrevivência (survival bias)
Um post, em um blog não relacionado a finanças, me inspirou a falar do efeito sobrevivência. Resumindo em poucas palavras, o tal post apregoava que "prudência não vale a pena". Embora eu discorde da afirmação, não é meu objetivo aqui contradizê-la, mas sim falar sobre um problema análogo, o efeito sobrevivência.
Um argumento, na verdade um sofisma, que recorrentemente assola os investidores em Bolsa, particularmente os pequenos, é o rendimento dos "micos", aquelas ações de pequenas empresas, ou pouco negociadas em Bolsa, ou de empresas falimentares. O sujeito pega as ações em negociação hoje, analisa o rendimento de cada uma nos últimos anos, e descobre que os micos são, de longe, as mais rentáveis.
Outra variante desse raciocínio é descobrir que diversificar investimentos é uma má idéia. Investir apenas na Bolsa é mais rentável que dividir o dinheiro entre renda variável e renda fixa. E dentro da Bolsa, é muito melhor investir tudo numa única ação do que esparramar o capital em diversos títulos. Quando mais não seja, porque diminui os custos de corretagem.
Este tipo de raciocínio tem dois erros. O primeiro é que ele "prevê o passado", ou seja, se eu estou no ano 2009, eu consigo "prever" e simular o que teria acontecido entre 2002 e 2009 para qualquer cenário dado. Isto não significa que eu consiga prever o futuro até 2016. Via de regra a História não se repete, e mesmo padronagens clássicas como bolhas são dificílimas de identificar quando se está "sentado em cima" delas. Só dá pra ver depois que a bolha estoura.
O outro erro, mais sutil e que engana muita gente esperta, é o "survival bias", difícil de traduzir, mas vou arriscar vazá-lo em vernáculo como "efeito sobrevivência". Quando você analisa a performance passada dos "micos", de 2009 para trás, só vai achar os títulos de empresas que AINDA existem, ou seja, que sobreviveram. Para cada empresa pequena que existe, há muitas outras que simplesmente viraram pó. E não há como prever hoje quais dos "micos" vão sobreviver e/ou vicejar no futuro.
Colocando de outra forma: você pode investir hoje no Bar da Estrela, ou na General Electric. Teoricamente, o Bar da Estrela tem muito mais potencial de crescimento; daqui a 20 anos ele pode ter virado o StarBucks, enquanto a GE vai continuar sendo a GE, sem ter mudado muito de tamanho. Mas, assim como o Bar da Estrela pode crescer muito, ele também pode falir, e sendo realista, a maior chance é que ele vá falir mesmo.
No futuro distante, algum espertinho vai olhar para a Starbucks, e para a GE, e dizer "que tipo de idiota investiria na GE?". Ele não viu que o Bar do Borba, o Bar do Ribamar e o Bar do Zé fecharam nesse meio-tempo, levando as economias de muita gente. O espertinho não vê isso porque Borba, Ribamar e Zé não estão mais listados na Bolsa,e portanto "nunca existiram" do ponto de vista de um observador futuro.
O "mito da diversificação" é outro engano do gênero. Olhando para o passado, é fácil enxergar que a diversificação foi sub-ótima em termos de rendimentos, e que alguns investidores imprudentes acabaram muito mais ricos que os prudentes. O que é mais difícil enxergar, é que muitos e muitos outros investidores imprudentes não sobreviveram para contar a história.
Isso tudo não quer dizer que investimento em "micos" seja, em si, um erro. Mas ele deve acontecer dentro de um contexto de gerenciamento de riscos. Por exemplo, um fundo que invista em 10 ou 20 micos diferentes pode ser interessante. Ou investir um troquinho em um mico, sendo que a perda desse troquinho não seja um problema. Lembrando que, nesses termos, o investimento em micos compete com outras alternativas interessantes, como as opções.
Da mesma forma, a diversificação não deve ser confundida com espalhar dinheiro em 1000 investimentos diferentes cujos ganhos cancelam-se mutuamente. A diversificação excessiva "mata" os rendimentos e não pode eliminar o risco sistêmico. A diversificação ótima é um problema abordado pelas teorias CAPM e Carteiras de Markowitz.
Um argumento, na verdade um sofisma, que recorrentemente assola os investidores em Bolsa, particularmente os pequenos, é o rendimento dos "micos", aquelas ações de pequenas empresas, ou pouco negociadas em Bolsa, ou de empresas falimentares. O sujeito pega as ações em negociação hoje, analisa o rendimento de cada uma nos últimos anos, e descobre que os micos são, de longe, as mais rentáveis.
Outra variante desse raciocínio é descobrir que diversificar investimentos é uma má idéia. Investir apenas na Bolsa é mais rentável que dividir o dinheiro entre renda variável e renda fixa. E dentro da Bolsa, é muito melhor investir tudo numa única ação do que esparramar o capital em diversos títulos. Quando mais não seja, porque diminui os custos de corretagem.
Este tipo de raciocínio tem dois erros. O primeiro é que ele "prevê o passado", ou seja, se eu estou no ano 2009, eu consigo "prever" e simular o que teria acontecido entre 2002 e 2009 para qualquer cenário dado. Isto não significa que eu consiga prever o futuro até 2016. Via de regra a História não se repete, e mesmo padronagens clássicas como bolhas são dificílimas de identificar quando se está "sentado em cima" delas. Só dá pra ver depois que a bolha estoura.
O outro erro, mais sutil e que engana muita gente esperta, é o "survival bias", difícil de traduzir, mas vou arriscar vazá-lo em vernáculo como "efeito sobrevivência". Quando você analisa a performance passada dos "micos", de 2009 para trás, só vai achar os títulos de empresas que AINDA existem, ou seja, que sobreviveram. Para cada empresa pequena que existe, há muitas outras que simplesmente viraram pó. E não há como prever hoje quais dos "micos" vão sobreviver e/ou vicejar no futuro.
Colocando de outra forma: você pode investir hoje no Bar da Estrela, ou na General Electric. Teoricamente, o Bar da Estrela tem muito mais potencial de crescimento; daqui a 20 anos ele pode ter virado o StarBucks, enquanto a GE vai continuar sendo a GE, sem ter mudado muito de tamanho. Mas, assim como o Bar da Estrela pode crescer muito, ele também pode falir, e sendo realista, a maior chance é que ele vá falir mesmo.
No futuro distante, algum espertinho vai olhar para a Starbucks, e para a GE, e dizer "que tipo de idiota investiria na GE?". Ele não viu que o Bar do Borba, o Bar do Ribamar e o Bar do Zé fecharam nesse meio-tempo, levando as economias de muita gente. O espertinho não vê isso porque Borba, Ribamar e Zé não estão mais listados na Bolsa,e portanto "nunca existiram" do ponto de vista de um observador futuro.
O "mito da diversificação" é outro engano do gênero. Olhando para o passado, é fácil enxergar que a diversificação foi sub-ótima em termos de rendimentos, e que alguns investidores imprudentes acabaram muito mais ricos que os prudentes. O que é mais difícil enxergar, é que muitos e muitos outros investidores imprudentes não sobreviveram para contar a história.
Isso tudo não quer dizer que investimento em "micos" seja, em si, um erro. Mas ele deve acontecer dentro de um contexto de gerenciamento de riscos. Por exemplo, um fundo que invista em 10 ou 20 micos diferentes pode ser interessante. Ou investir um troquinho em um mico, sendo que a perda desse troquinho não seja um problema. Lembrando que, nesses termos, o investimento em micos compete com outras alternativas interessantes, como as opções.
Da mesma forma, a diversificação não deve ser confundida com espalhar dinheiro em 1000 investimentos diferentes cujos ganhos cancelam-se mutuamente. A diversificação excessiva "mata" os rendimentos e não pode eliminar o risco sistêmico. A diversificação ótima é um problema abordado pelas teorias CAPM e Carteiras de Markowitz.
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