É como eu escrevi neste post de 2007: poupança sempre foi um investimento imerecidamente marginalizado. Agora chegamos à era dos juros baixos e a poupança tal como a conhecemos vai desaparecer.
E isto é perfeitamente esperado e normal; não há nada de "confisco" nas últimas medidas do governo em relação à poupança. É insustentável manter uma aplicação que renda 6% mais inflação ao ano se a taxa-base de juros vai cair para um dígito a qualquer momento.
Naturalmente, o governo tem seus próprios interesses, do contrário não correria este risco eleitoral logo agora. Toda essa conversa que "os grandes especuladores prejudicam a poupança" é balela. Mais dinheiro na poupança significaria mais dinheiro para financiar habitação, e como disse Jorge Amado, dinheiro não tem cor nem cheiro. O problema da poupança é que o dinheiro tem de ser obrigatoriamente investido em determinados tipos de crédito, entre eles habitação. Já o dinheiro dos fundos de investimento rola a dívida pública federal.
A reforma da poupança acabou saindo "light" e pela metade: apenas depósitos acima de R$ 50 mil vão pagar IR, o IR tem patamares de diminuição se porventura a taxa-base de juros voltar a subir. Isto mantém a poupança como uma excelente alternativa para começar a formar um pé-de-meia. Quem já tem mais que 50 mil certamente achará aplicações melhores para o excedente.
O negócio é continuar aproveitando enquanto o resto da reforma da poupança não vem -- o que certamente acontecerá, provavelmente no início do próximo governo.
Quinta-feira, Maio 14, 2009
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1 comentários:
"Quem já tem mais que 50 mil certamente achará aplicações melhores para o excedente." Você poderia fazer um artigo sobre essas sugestões, seria interessante.
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