Enquanto relia o post sobre métricas de compra e venda de opções, me ocorreu o seguinte: Por que alguém compraria ou venderia opções em situações que claramente não dão um bom lucro? O fato é que há gente fazendo isso, e talvez haja bons motivos.
Primeiro negócio aparentemente absurdo: vender opções profundamente in-the-money. Ganha-se pouco de prêmio (valor extrínseco); quase todo o ganho é valor intrínseco que será devolvido no momento do exercício da opção.
Exemplo: VALE5 está valendo R$ 50. Você vende opções VALED40 a, digamos, R$ 10,50. É praticamente certo que você será exercido: em meados de abril, terá de entregar uma VALE5 a R$ 40, e você acaba com R$ 50,50 nas mãos (R$ 10,50 de agora, mais R$ 40,00 no exercício da opção), menos as taxas de corretagem. De que valeu a pena isso?
Talvez essa operação tenha uma utilidade -- funcionaria como um empréstimo, cuja garantia é sua carteira de ações. Digamos que você precisava de R$ 10,00 rápido, com previsão de cobrir esse rombo em abril. Ao invés de pedir empréstimo ou usar o cheque especial, você vende opções. Com isso, deixou de pagar juros (ou pelo menos pagou um juro muito menor).
Antigamente, as pessoas conseguiam empréstimos baratos dando imóveis como garantia. Por diversos motivos, esse secular meio de financiamento barato está em extinção, mas lançar opções cobertas é o equivalente moderno.
"Mas por que não vender as ações logo de uma vez?" Bem, o objetivo aqui é conseguir o dinheiro a tempo de recomprar as opções e manter a carteira de ações intacta, sem deixar de receber os proventos da ação. Da mesma forma que muitas vezes é preferível fazer um empréstimo do que vender o imóvel.
Uma empresa pode lançar mão de outros meios para conseguir empréstimos no mercado, ao invés de recorrer a um banco. Ela poderia lançar debêntures, ou poderia lançar ações. O governo vende títulos de longo prazo. Infelizmente, são operações burocráticas e completamente fora do alcance da pessoa física ou da pequena empresa, no presente estado da tecnologia.
Para um futuro distante, poderíamos imaginar um anarco-capitalismo que levaria à extinção dos bancos tais quais existem hoje. Nunca mais ser forçado pelo gerente do banco a comprar um seguro de vida por "reciprocidade" a um empréstimo. Minha conta-corrente seria a conta da corretora de valores, e para conseguir um empréstimo, eu venderia debêntures no mercado.
Alguém iria comprar títulos da minha dívida -- tem maluco pra tudo no mundo -- a questão é por quanto. Se eu tivesse má reputação, meus títulos só seriam vendidos por preço baixo, o que aumenta a taxa de juros efetiva (digamos, eu receberia R$ 90 por um título que promete pagar R$ 100 daqui um mês, o que daria uma taxa acima de 10% ao mês).
Para quem não sabe, é assim que o governo toma dinheiro emprestado hoje. Só falta universalizar :)
É interessante que, apesar de ser o instrumento financeiro mais complicado que existe, a opção é o meio mais acessível da pessoa física "entrar no mercado" lançando títulos. Quem vende opções, vende uma espécie de seguro, portanto está vendendo uma espécie de serviço. É como ter uma lojinha no Mercado Livre.
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1 comentários:
meu amigo, boa noite!
acabei de achar teu blog. Procurava links de calculadoras de volatilidade e achei teu post sobre a formula de precificacao B&S. Achei bacana teu post. Entao fui pra pag inicial e encontrei outro post muito interessante sobre a razao das pessoas lancarem opcos itm... entao vi a data do post .... nao me diga q tá abandonando o blog??? uma pena isso. De qualquer forma, obrigado pelos interessantes posts... abraco, Fábio
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