O mais hilário é que os bancos estatais foram os que mais bem se saíram. De uma reportagem do Valor Econômico:
"Uma visita às agências bancárias comprova as dificuldades. Se ele tiver R$ 50 mil para aplicar por dois anos, interessado em investir em fundo de ações, e já com outras aplicações de renda fixa, pode encontrar gerentes despreparados, que muitas vezes cometem erros grosseiros. E corre o risco de sair do banco com um plano de previdência ou ainda com um CDB."
"No HSBC, o consultor de serviços financeiros, ou seja, a pessoa mais preparada da agência para falar sobre investimentos disse à suposta cliente que o melhor seria ela começar a aplicar aos poucos em bolsa. A recomendação é irretocável, o problema é a aplicação indicada para esse primeiro passo em bolsa: um VGBL que possui 75% em renda fixa e 25% em renda variável."
"A gerente do Bradesco, também já certificada pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), deu boas explicações sobre prós e contras da renda variável - que o retorno pode ser melhor, mas os riscos de perdas são maiores. Mas, assim como no HSBC, ela acabou indicando previdência e fez questão de ressaltar a vantagem tributária da dedução no Imposto de Renda. Em ambos os casos, tanto no HSBC quanto no Bradesco, os profissionais ignoram o fato das carteiras de previdência terem, além da taxa de administração, a de carregamento."
"No Itaú, o agente comercial disse que o banco não tinha fundos de ações e que a aplicação em bolsa só era possível por meio da corretora do banco." (Essa foi boa...)
"Já no Banco Real, os erros foram ainda mais grosseiros. "Tenho aqui um fundo que é o melhor, o que indico para os meus clientes, o nome dele é CDB", disse a gerente. E continuou: 'É a única aplicação que tem o imposto de renda regressivo, é o melhor fundo de renda fixa que temos'. (...)
Após mais perguntas sobre fundos de ações, a gerente confidenciou que não entendia muito do assunto 'porque o banco paga cursos só para os gerentes dos clientes de alta renda'".
"O melhor atendimento ocorreu numa agência da Zona Sul da Caixa Econômica Federal. Sobre o investimento em bolsa, a gerente fez questão de dizer que o investidor deve ter uma visão de longo prazo."
"No Banco do Brasil, o funcionário explicou corretamente o que é um fundo de ação, os riscos, e disse que também seria possível comprar ações diretamente por meio de uma corretora. (...) No BB, do total captado em 2006 por fundos distribuídos em agências, 25% foram para carteiras de ações, conta Maria Izabel Gribel, gerente executiva de investimentos do varejo. Só neste ano, a categoria já captou R$ 160 milhões.".
Melhor para o Banco do Brasil, ganha dinheiro sem fazer força.
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Mais pérolas de conhecimento sobre opções
Pode-se observar consistentemente em todos os mercados (incluindo aí os de commodities) que 70% das opções expiram sem terem sido exercidas, ou seja, viram pó. Não é raro haver épocas em que mais de 90% das opções acabem assim; por outro lado é raríssimo a porcentagem de pó ser menor que 70%.
Esta é outra versão do corolário sobre opções: é muito mais fácil fazer dinheiro vendendo opções do que comprando. O que de certa forma é consistente com seu fim original: um "seguro" contra preços inesperados.
Assim, investimentos em opções devem ser sempre a) parte de um investimento mais complexo, como uma trava ou um investimento de principal garantido; b) se possível, montar "travas" que envolvam venda de opções, pois colocam você no clube dos 70% que ganham dinheiro.
Esta é outra versão do corolário sobre opções: é muito mais fácil fazer dinheiro vendendo opções do que comprando. O que de certa forma é consistente com seu fim original: um "seguro" contra preços inesperados.
Assim, investimentos em opções devem ser sempre a) parte de um investimento mais complexo, como uma trava ou um investimento de principal garantido; b) se possível, montar "travas" que envolvam venda de opções, pois colocam você no clube dos 70% que ganham dinheiro.
Domingo, Janeiro 14, 2007
BOVESPA "chavista"?
Uma característica "ruim" da BOVESPA é que ela tem vinculação muito grande com commodities, ou seja, matérias-primas negociadas em bolsa no mundo inteiro: petróleo, ferro, cobre, ouro, suco de laranja etc.
No caso específico da BOVESPA, petróleo, ferro e níquel são as mais relevantes, pois correlacionam com Petrobrás e Vale do Rio Doce, que constituem grande parte do índice Ibovespa.
Como sempre, as pessoas só comentam esse tipo de coisa quando a Bolsa cai, porque todos buscam explicações. Quando a Bolsa sobe, ninguém quer saber o porquê... A última quedinha do BOVESPA no início deste ano deveu-se muito à queda do petróleo no mercado internacional. Assim, Petrobrás cai, o índice cai.
O problema é que, caindo o Ibovespa, o resto das ações tendem a cair junto. Assim, um fato que *beneficia* toda a economia (a queda do petrólego) acaba *prejudicando* em maior ou menor grau todas as ações do BOVESPA, tenham ou não a ver com o negócio do petróleo...
Por exemplo, as petroquímicas se beneficiam de uma queda no preço do petróleo. Teoricamente uma queda em Petrobrás seria pareada por uma subida equivalente nas petroquímicas, mas como as petroquímicas não são muito relevantes no índice, acabam subindo menos, ou até caindo, quando a Petrobrás cai. No longo prazo, espera-se que as petroquímicas subam, mas é preciso paciência e uma certa dose de fé que o mercado vá conseguir distinguir ação de índice.
Outro problema é que, ao contrário da crença generalizada, a subida do Ibovespa não quer dizer que a confiança na economia brasileira esteja tão grande. Simplesmente aponta que as commodities que o Brasil exporta subiram de preço lá fora. Daí o apelido de bolsa "chavista", que se sustenta exclusivamente em função de preços altos do petróleo.
Mas nem tudo são problemas:
* Dificilmente o petróleo vai cair muito abaixo de 50 dólares o barril. O mundo precisa de energia para andar, e o petróleo está escasseando. Ruim quando abastecemos o carro, bom pra nossos investimentos :)
* Apesar da alta do Ibovespa ter sido puxada pela Petrobrás, ainda pode-se dizer que as ações brasileiras estão num preço justo. Não estão "baratas", mas não são um mau negócio. Mesmo que sofram uma queda por conta da queda do petróleo, ainda vão pagar os mesmos dividendos e com o tempo recuperam seu valor de revenda em função disso. Melhor ainda se os juros-base da economia continuarem em queda.
No caso específico da BOVESPA, petróleo, ferro e níquel são as mais relevantes, pois correlacionam com Petrobrás e Vale do Rio Doce, que constituem grande parte do índice Ibovespa.
Como sempre, as pessoas só comentam esse tipo de coisa quando a Bolsa cai, porque todos buscam explicações. Quando a Bolsa sobe, ninguém quer saber o porquê... A última quedinha do BOVESPA no início deste ano deveu-se muito à queda do petróleo no mercado internacional. Assim, Petrobrás cai, o índice cai.
O problema é que, caindo o Ibovespa, o resto das ações tendem a cair junto. Assim, um fato que *beneficia* toda a economia (a queda do petrólego) acaba *prejudicando* em maior ou menor grau todas as ações do BOVESPA, tenham ou não a ver com o negócio do petróleo...
Por exemplo, as petroquímicas se beneficiam de uma queda no preço do petróleo. Teoricamente uma queda em Petrobrás seria pareada por uma subida equivalente nas petroquímicas, mas como as petroquímicas não são muito relevantes no índice, acabam subindo menos, ou até caindo, quando a Petrobrás cai. No longo prazo, espera-se que as petroquímicas subam, mas é preciso paciência e uma certa dose de fé que o mercado vá conseguir distinguir ação de índice.
Outro problema é que, ao contrário da crença generalizada, a subida do Ibovespa não quer dizer que a confiança na economia brasileira esteja tão grande. Simplesmente aponta que as commodities que o Brasil exporta subiram de preço lá fora. Daí o apelido de bolsa "chavista", que se sustenta exclusivamente em função de preços altos do petróleo.
Mas nem tudo são problemas:
* Dificilmente o petróleo vai cair muito abaixo de 50 dólares o barril. O mundo precisa de energia para andar, e o petróleo está escasseando. Ruim quando abastecemos o carro, bom pra nossos investimentos :)
* Apesar da alta do Ibovespa ter sido puxada pela Petrobrás, ainda pode-se dizer que as ações brasileiras estão num preço justo. Não estão "baratas", mas não são um mau negócio. Mesmo que sofram uma queda por conta da queda do petróleo, ainda vão pagar os mesmos dividendos e com o tempo recuperam seu valor de revenda em função disso. Melhor ainda se os juros-base da economia continuarem em queda.
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