Nesta semana tive uma pequena decepção com o POP do Bovespa. Selecionei uma porção de papéis POP da Petrobrás para acompanhar no Home Broker, e notei que o grosso deles não tem movimento nenhum: nem compradores, nem vendedores. O mesmo continua acontecendo com as opções de compra e de venda para prazos mais longos.
Como as opções de venda de curto prazo são as únicas com boa liquidez, o jeito é tentar fazer alguma coisa com elas. Temos fatos novos nos últimos dias:
* O Bovespa está caindo como uma pedra, direto dos 57000 para 50000 e previsão de ir mais para baixo. Ninguém acredita na catástrofe que eu "previ" (queda até 40000 pontos) mas por enquanto está só caindo.
* Especuladores um pouco mais criativos como nós já se perguntam como ganhar dinheiro num cenário de baixa ou oscilação em torno de um patamar estável.
* Descobri que o Home Broker da minha corretora permite lançar opções de compra! Medo... Mas só permite fazê-lo se a opção estiver "calçada" com a ação correspondente. Isso garante as opções (e garante que o cliente do Home Broker não vá lançar opções que não possa pagar depois).
Também há como lançar opções a descoberto e opções de venda, mas isso implica em depositar garantias, fazer a coisa por telefone... arriscado e complicado demais para quem ainda não vive disso.
Aí surge a operação "covered call": lançar opções de compra, que têm boa liquidez, tendo a ação subjacente como garantia. À primeira vista a operação não vai parecer atrativa.
Supondo que eu compre PETR4 a R$ 50,00 e venda PETRA50 por R$ 10,00.
Se em Janeiro/08 PETR4 estiver valendo R$ 15,00, eu ganhei R$ 25,00: 15 da ação e 10 que eu ganhei vendendo a opção. A opção terá virado pó.
Se PETR4 valer R$ 50,00 naquela data, eu ganhei R$ 60,00, pois a opção ainda não vale a pena ser exercida.
Por outro lado, se PETR4 estiver valendo R$ 100,00, eu continuo ganhando apenas R$ 60,00 pois eu me obriguei a vender minha ação por R$ 50,00.
Ou seja, essa estratégia não garante meu capital (pois não me protege de uma queda acentuada da ação), nem alavanca meus ganhos (pois todo lucro acima de R$ 60,00 é embolsado por quem comprou a opção).
Ainda assim, essa estratégia é interessante por diversos motivos:
* ela "espalha" o risco, e protege parcialmente meu capital: se PETR4 cair a R$ 40,00, eu ainda ganho R$ 50,00. Se eu acreditar que a ação vai cair mais, posso desmontar a operação recomprando as opções e vendendo a ação.
* PETR4 é pouco volátil. A probabilidade de ela subir ou cair de forma tão abrupta é bastante pequena. E ainda que aconteça, "daria tempo" de desfazer esta operação e tentar outro tipo mais adequado.
* Corroborando este fato, 70% das opções em qualquer mercado costumam virar pó. Isso normalmente, pois o índice pode atingir 90% facilmente. Isso significa que a verdadeira "mina de ouro" está em LANÇAR opções e não em comprá-las.
* Diferentemente de quase todos os outros ativos, opções PERDEM valor conforme passa o tempo. Ou seja, é um "negócio da China" vender algo por um preço, sabendo que esse preço só tende a diminuir, até chegar a zero. O problema: é preciso oferecer garantias para emitir opções. Dinheiro faz dinheiro...
* Finalmente, essa estratégia permite conciliar objetivos de curto e longo prazo sem obrigar você a pulverizar muito o capital. Se você acha que Petrobrás é uma ação para deixar de herança, e compra um pouco todo mês independente das quedas ou subidas, isso não impede você de "dar uns tiros" no mercado de opções para fazer um dinheiro no curto prazo. E se divertir.
A outra opção de ganhar no curto prazo em cima de uma carteira de longo prazo "imexível", seria alugar as ações (a corretora empresta tais ações para especuladores que apostam na baixa). Dá uns 4% ao ano -- nada muito emocionante, e obriga você a reter as ações durante a vigência do contrato de aluguel.
Quarta-feira, Agosto 15, 2007
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