Domingo, Janeiro 14, 2007

BOVESPA "chavista"?

Uma característica "ruim" da BOVESPA é que ela tem vinculação muito grande com commodities, ou seja, matérias-primas negociadas em bolsa no mundo inteiro: petróleo, ferro, cobre, ouro, suco de laranja etc.

No caso específico da BOVESPA, petróleo, ferro e níquel são as mais relevantes, pois correlacionam com Petrobrás e Vale do Rio Doce, que constituem grande parte do índice Ibovespa.

Como sempre, as pessoas só comentam esse tipo de coisa quando a Bolsa cai, porque todos buscam explicações. Quando a Bolsa sobe, ninguém quer saber o porquê... A última quedinha do BOVESPA no início deste ano deveu-se muito à queda do petróleo no mercado internacional. Assim, Petrobrás cai, o índice cai.

O problema é que, caindo o Ibovespa, o resto das ações tendem a cair junto. Assim, um fato que *beneficia* toda a economia (a queda do petrólego) acaba *prejudicando* em maior ou menor grau todas as ações do BOVESPA, tenham ou não a ver com o negócio do petróleo...

Por exemplo, as petroquímicas se beneficiam de uma queda no preço do petróleo. Teoricamente uma queda em Petrobrás seria pareada por uma subida equivalente nas petroquímicas, mas como as petroquímicas não são muito relevantes no índice, acabam subindo menos, ou até caindo, quando a Petrobrás cai. No longo prazo, espera-se que as petroquímicas subam, mas é preciso paciência e uma certa dose de fé que o mercado vá conseguir distinguir ação de índice.

Outro problema é que, ao contrário da crença generalizada, a subida do Ibovespa não quer dizer que a confiança na economia brasileira esteja tão grande. Simplesmente aponta que as commodities que o Brasil exporta subiram de preço lá fora. Daí o apelido de bolsa "chavista", que se sustenta exclusivamente em função de preços altos do petróleo.

Mas nem tudo são problemas:

* Dificilmente o petróleo vai cair muito abaixo de 50 dólares o barril. O mundo precisa de energia para andar, e o petróleo está escasseando. Ruim quando abastecemos o carro, bom pra nossos investimentos :)

* Apesar da alta do Ibovespa ter sido puxada pela Petrobrás, ainda pode-se dizer que as ações brasileiras estão num preço justo. Não estão "baratas", mas não são um mau negócio. Mesmo que sofram uma queda por conta da queda do petróleo, ainda vão pagar os mesmos dividendos e com o tempo recuperam seu valor de revenda em função disso. Melhor ainda se os juros-base da economia continuarem em queda.

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